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20.12.06

"O natal conforme a nata de cada um" - www.caiofabio.com

Paulo disse que não era para guardar mais festas religiosas como se elas carregassem virtude em si mesmas. Assim, as datas são apenas datas, e as mais significativas são aquelas que se fizeram história, memória, e ninho em nós. Ora, o mesmo se pode dizer do Natal, o qual, na “Cristandade”, celebra o “nascimento de Jesus”; ou, numa linguagem mais “teológica”, a Encarnação.No entanto, aqui, há que se estabelecer algumas diferenciações fundamentais:
1. Que Jesus não nasceu no Natal, em dezembro, mas muito provavelmente em outubro.
2. Que o Natal é uma herança de natureza cultural, e que foi instituída já no quarto século. De fato, o Natal da Cristandade, que cai em dezembro, é mais uma criação de natureza constantiniana, e, antes disso, nunca foi objeto de qualquer que tenha sido a “festividade” da comunidade dos discípulos originais.
3. Que a Encarnação, que é o verdadeiro natal, não é uma data universal—embora Jesus possa ter nascido em outubro—, mas sim um acontecimento existencial, e que tem seu inicio em nós quando cremos que “Deus estava em Cristo”; e se renova em nós cada vez que vivemos no amor de Deus, confiantes na Graça da Encarnação e na Encarnação da Graça: Jesus, o Emanuel.
4. Que conquanto o Natal da Cristandade não seja nada além de uma celebração religiosa e sincrética, nem por isto ele faz mal a quem o celebra como quem come o pão e bebe o vinho do Amor de Deus em Sua Encarnação. Isto porque, como qualquer outra coisa, o que empresta sentido às coisas não são as coisas mesmas, mas o olhar de quem nelas projeta, simbolicamente, o seu próprio coração.
Assim, que cada um tenha o natal que nele tiver sido gerado! O meu é todo dia, pois, a cada dia vivo apenas porque creio que Deus estava em Cristo reconciliando consigo mesmo o mundo. Do contrário, para mim, não haveria natal; posto que, um homem como eu, já não encontra ilusões viáveis como paliativo e auto-engano para a existência. Por isto digo: sem o meu natal de fé em Cristo sobraria apenas o meu funeral de tristeza.
Há quem faça um natalzinho existencialmente do tipo “Casas Bahia”. Há quem o torne algo tão “exato”, que não celebrar é como não comparecer ao “Aniversário de Jesus”. Há quem não o celebre por julga-lo uma festa pagã. E há também quem o denuncie de modo estapafúrdio, como um certo “apóstolo”, o qual, desejando “teologizar”— coisa para ele mais difícil do que boi voar—, disse que a Encarnação não é para ser celebrada, mas apenas a Ceia do Senhor. E concluiu que quem celebra a Encarnação, celebra o Primeiro Dia, ao invés de celebrar o Sétimo. Assim, conclui ele, tal pessoa voltou atrás. E isso tudo sem lembrar que João diz que todo espírito que não confessa a Encarnação, não procede de Deus, pois é espírito do anti-cristo, o qual já está no mundo, e, segundo João, “procede do meio de nós”. Sem Encarnação Aquele que morreu e ressuscitou não poderia dizer: “Vede! Um espírito não tem carnes nem ossos, como vedes que eu tenho!”Sem começo, não há fim. Portanto, tratando-se de Deus, Alfa e Omega são a mesma coisa; pois, Aquele que é, é; e não se pode separar Nele eventos que salvam e eventos que não salvam. E isto por uma única razão: Quem salva é Ele, e não pedaços Dele!
Portanto, como todos os dias, celebre seu natal com a gratidão dos filhos da Graça que se encarnou como manifestação de uma reconciliação que já estava feita antes de acontecer na História, visto que o Cordeiro de Deus já havia sido imolado desde antes da fundação do mundo. Portanto, não há nada tão final quanto o próprio começo de tudo!
Nele,
Caio

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