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31.3.07

"RABINO SOBEL E ACUSADO DE ROUBAR GRAVATAS"


"Retirado do site www.caiofabio.com"

Os jornais e os telejornais estão dando grande ênfase, o que é natural, à prisão do Rabino Sobel, nos Estados Unidos, na sexta-feira passada. O rabino é acusado de ter roubado gravatas numa loja de excelentes marcas. Sobel teria confessado o roubo aos policiais durante o interrogatório.

Liberto em razão do pagamento de uma fiança de 3 mil dólares, o rabino voltou ao Brasil. Hoje à noite a imprensa divulgou que Sobel está hospitalizado e passando por distúrbios do comportamento em razão dos medicamentos que está tomando.

Sobel para mim não é um nome, um estranho, um rabino da mídia. Para mim ele é uma pessoa.

Conheci o Rabino Sobel pessoalmente em 92. Depois estivemos juntos em algumas ocasiões e falamos várias vezes ao telefone.

Duas vezes Sobel e eu participamos de solenidades.

Uma vez no casamento de Salo Saibel com a economista Clarice Peckman (hoje já com outro nome), que, a altura, era “madrinha da Fábrica de Esperança”, visto que à época Salo era sócio de Alípio Gusmão, que foi quem me disponibilizou o prédio da Fábrica vitaliciamente.

A segunda vez foi quando a Fábrica de Esperança recebeu um prêmio nacional, em 1995, e fui receber e dizer uma palavra. Sobel, pela nossa ‘amizade’, foi convidado para me entregar o prêmio.

Em ambas as ocasiões ele recitou em Hebraico uma benção bíblica sobre mim.

Durante o episódio Cayman, ele me ligou com muito carinho e sem julgamento. Apenas ligou.

Agora faz anos que não nos falamos. Se não estou enganado a última vez já foi no ano 2000, quando eu ia lançar o “Nephilim” em São Paulo, e convidei o rabino para aparecer caso pudesse. Mas ele estava saindo para uma longa viagem. Desejou-me felicidades.

Ontem ouvi a notícia e fiquei consternado!

Orei por ele. Adriana ficou triste por ele também.

O que estamos vendo é a sistemática dês-construção dos Totens religiosos. E a mão de Deus está nisso tudo, por mais triste que pareça.

Homens são apenas homens. E maldito é aquele que neles depositam sua confiança de impecabilidade.

Como disse a minha mulher:

“Parece que é tão difícil para as pessoas apenas dizerem que aconteceu com ele, ao invés de ficarem chocadas, e dizendo que não acreditam”.

Sombra.

Sim! Sombra é o que cresce na alma de todo homem-totem. E Sobel era um totem para o mundo judeu e para boa parte da mídia.

Essa sombra, todavia, não fala ‘quem’ é o indivíduo, mas o que aconteceu a ele. O indivíduo se torna vítima da suposta luz que representa. Pois, ao ser vista como representante da luz, a pessoa acaba assumindo tal papel de modo externo, comportamental, visível, apresentando uma cara ética, mobilizando-se sempre em razão de causas nobres, embora, na alma, vá bem devagar acumulando suas sombras, as quais, podem ganhar muitas formas dependendo da pessoa, mas, ao final, sempre há o derrame dela na forma de catástrofe.

Isso no caso de um Sobel. Mas quando a personalidade do homem-totem é diferente, então, a tendência é para a Síndrome de Lúcifer, conforme bem expressa pelos homens-totens-neo-pentecostais que conhecemos.

Sobel tem nas gravatas roubadas a sua sombra manifesta. Tratar da questão é um prato psicológico dos mais cheios.

E como funciona isso?

Ora, isso vai assim... (falando simplistamente)

Na medida em que a pessoa vai se sentindo luz humana em movimento, lentamente vai surgindo um sentimento de autonomia nela, como se pela prática de muitas obras louvadas pelos homens, a pessoa ganhasse uma licença particular para fazer muitas coisas que os demais mortais não podem fazer.

E a pessoa vai fazendo...

Passa a se sentir como uma espécie de “Credor do Mundo e da Vida”, como se a existência, pelos bons serviços por ela prestados pelo totem, lhe devesse algo, daí tal pessoa sentir-se com crédito ético e moral. É esse sentir o que faz com que a pessoa-totem acabe, muitas vezes, por surtar.

No início com desconforto. Depois, quando não é apanhada logo, acostuma-se. E é aí que ela ficará “relaxada”; até que um dia é apanhada.

Minha oração é que tal ato do amor de Deus pelo Sobel, trazendo-o à luz da verdade, gere nele uma profunda e inafastavel vontade de andar na genuína luz de Deus, a qual só é verdadeira se começar no coração.

Hoje eu li alguém em relação ao caso Sobel, e a pessoa dizia que o importante não é como se começa, mas sim como se termina, fazendo uma alusão dupla: a primeira ao modo como a vida do Sobel estaria terminando aos olhos do público; e a segunda é que em razão de tal episódio, o rabino está “terminado”.

Ora, eu creio que o importante é como vivemos, não importando o tempo ou a cronologia das coisas; pois, no Evangelho, o que aconteceu ao Sobel pode justamente ser o modo como as coisas de Deus estão começando para ele. Sim! Pois somente Deus diz quando alguém ou algo está acabado ou acabando.

Vejo muita gente terminando bem “para fora” e muito mal “para dentro”.

Pessoas escamosas vão muito bem até à ruína final, quando não há mais retorno.

Não é o caso do Sobel, o qual, pode até perder seus privilégios e status entre os homens justamente na hora em que, pela cacetada da verdade, está tendo sua maior chance com Deus na vida.

Pode ser que o “rabino” esteja acabado. Mas Sobel, o homem, possivelmente, nesta crise que já tira o equilíbrio mínimo necessário, esteja tendo a sua melhor chance de conhecer o homem sob o totem.

Em meio a tudo isto, deixo uma palavra que ouvi na televisão hoje a noite, e que foi manifesta pelo meu amigo de juventude, Arthur Vírgilio Neto, que disse:

“Eu gostaria que o Rabino Sobel fosse lembrado pelos anos de trabalho dele em favor dos Direitos Humanos, da luta anti-racismo, pela militância em favor da inclusão religiosa, etc. ao invés de ficarem julgando-o pela situação de uma doença. E que, nesse caso, precisa de tratamento sério, pois é uma doença”.


Com oração, e confiança no amor de Deus por todos os homens,


Caio Fábio

30/03/07
Lago Norte
Brasília

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